Brasil, o país do futebol

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Que o Brasil é o país do futebol todo mundo já sabe. O fato de ser a terra do Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho nos dá sim muito orgulho. Somos cinco vezes campeões da Copa do Mundo, os nomes de nossos jogadores são conhecidos por pessoas nos mais diversos países.

Mas tem muito sobre o futebol no Brasil que você talvez não saiba. Então bem vindo a alguns fatos inegáveis sobre o esporte mais praticado no meu país…

1) Os jogadores de futebol do Brasil sempre atendem por apelidos.

Você já deve ter reparado que, enquanto a França tem Zinédine Zidane, a Alemanha tem Oliver Kahn e a Inglaterra tem David Beckham, o Brasil se contenta com nomes como Ronaldinho, Dida, Zico e Pelé.
Por que? Certamente não é pela facilidade da pronúncia, já que no exterior todos se enrolam com um Ronaldinho e entonam errado um Kaká ou Cafu.

Minha teoria:

a) Todos se sentem mais íntimos dos jogadores e estes se sentem mais próximos do público. Apelidos são muito comuns no Brasil, porque até mesmo o nosso presidente, Luiz Inácio Lula da Silva atende apenas por “Lula”.

b) Em um país com tanta variedade de nomes como o Brasil, coincidentemente alguns jogadores famosos acabam por ter o mesmo nome. O grande exemplo é o de Ronaldo e Ronaldinho. Antes da fama do Ronaldinho, o atual Ronaldo era chamado de Ronaldinho. Quando o segundo apareceu, utilizava o nome de Ronaldinho Gaúcho, o que deixava tudo mais complicado. Mudaram-se então as denominações e Ronaldinho virou Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho virou apenas Ronaldinho. Confusões à parte, temos que admitir que ficou muito mais fácil. Ou não.

c) As camisetas de futebol têm os nomes dos jogadores escritos nas costas. Se algum dia tentássemos escrever o nome verdadeiro dos nossos queridos astros, uma camiseta tamanho GG não seria o suficiente… Ronaldo = Ronaldo Luis Nazário de Lima; Pelé = Edison Arantes do Nascimento; Kaká = Ricardo Izecson dos Santos Leite e por aí vai.

2) A grande paixão do Brasil é o futebol.

Ok, nada de novo no front. Fora o Carnaval, o futebol é provavelmente a maior paixão do brasileiro. Toda quarta-feira à noite homens de todo o país ficam em frente à tv assistindo ao Brasileirão. Sábados à tarde é dia de “bater uma bola” com os amigos. E domingos às 16 horas, é claro, tem jogo.

Mas a paixão não se vê só nos espectadores, mas também nos olhos dos jogadores. Desde pequenos, os brasileiros freqüentam escolinhas e clubes de futebol, ganham bolas de presente de Natal.

Muitos europeus dizem que gostam de assistir aos jogos da Seleção Brasileira por causa da leveza e velocidade com que os jogadores se movimentam e “brincam” com a bola. Eu pessoalmente não sou a maior fã de futebol, mas o que gosto dos jogos da Seleção é de ver o sorriso no rosto dos jogadores e o brilho no olhar quando eles ganham uma partida.

3) Ir a um estádio de futebol no Brasil é uma experiência inesquecível.

Especialmente nos jogos clássicos. Fla-Flu, Gre-Nal, Palmeiras x Corinthias… Os jogos atraem milhares de torcedores fanáticos, torcidas organizadas, faixas, lágrimas e gritos. A vibração é enorme após cada gol – as brigas entre torcidas após cada vitória também. O juiz é xingado (sua mãe mais ainda…), os torcedores se desesperam, mas no final das contas tudo sempre acaba bem. Mesmo se o seu time perde e você tem que agüentar ver seus colegas com a camisa do outro time no dia seguinte, na semana que vem tudo pode ser diferente…

4) O país pára durante a Copa do Mundo.

Pára mesmo. Quando a Seleção joga não se vê uma pessoa sequer na rua; as crianças são dispensadas da escola, os adultos não trabalham. Afinal, é o maior evento relacionado a futebol do mundo – e não poderia ser diferente no país do futebol.

Assista aqui ao vídeo de “É uma partida de futebol”, da banda brasileira Skank.

http://www.youtube.com/watch?v=ftVoTWgSaQk

E agora que já sabe um pouco mais sobre o futebol no Brasil, teste seus conhecimentos:

http://en.bab.la/quiz/brazilian-soccer-for-experts – Futebol para experts
http://en.bab.la/quiz/brazilian-soccer – Se o outro teste foi um pouco demais para você, tente este aqui.

Ps. Esta semana ocorreu a entrega do prêmio dos melhores jogadores do mundo pela Fifa. Infelizmente o brasileiro Kaká não venceu – Cristiano Ronaldo, de Portugal foi o número um. Mas no futebol feminino, boas notícias: a jogadora brasileira Marta recebeu o prêmio de melhor jogadora do mundo pelo terceiro ano consecutivo.

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3 thoughts on “Brasil, o país do futebol

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  3. Ter jogadores famosos ou ser 5 vezes campeão as vezes não quer dizer nada!
    A Inglaterra é o verdadeiro país do futebol?
    Com 40 mil clubes e uma 2ª divisão com mais público que a nossa 1ª, a nação que inventou o football tem muito a ensinar à pátria de chuteiras
    por Texto Marcos Alvito

    A grama, impecável, é cortada a cada dois dias. Mas os jogadores treinam em outro campo. Ninguém pode pôr os pés ali quando não é dia de jogo oficial, fora o zelador. O estádio tem cadeiras para todos os espectadores, vestiários confortáveis, banheiras de hidromassagem e sala de fisioterapia para os jogadores. Você pode comprar seu ingresso pela internet e recebê-lo pelo correio, com lugar marcado e seu nome impresso. Há uma linha especial de ônibus para levar os torcedores, saindo da estação de trem da cidade. No dia do jogo, o clube põe à venda um programa com as escalações, entrevistas, informações detalhadas sobre o time adversário: história, estatísticas e análise de cada um dos jogadores. Não estamos falando de um grande time europeu. Mas do pequeno Oxford United, que disputa a Blue Square Premier. Traduzindo: a 5ª Divisão da Inglaterra.

    Qualquer comparação com o Brasil pode soar leviana. Nosso PIB por habitante não dá nem um terço do da Grã-Bretanha (são US$ 9 500 contra US$ 35 500). Mas, se você pensar que existem 40 mil clubes na Inglaterra, contra 13 500 por aqui, e que a média de público da 2a Divisão deles é 50% maior que a do Campeonato Brasileiro da 1a, vê que o país do futebol é outro: uma nação em que o interesse pela bola é grande a ponto de os maiores jornais ingleses, como The Guardian, The Times e Daily Telegraph, publicarem os resultados até da 7a Divisão.

    Não é à toa. O futebol está tão enraizado na cultura inglesa quanto o idioma que eles falam. A febre começou na Idade Média, bem antes de a esquadra de Cabral atracar por aqui. Em dias festivos, grupos de aldeões do país todo batiam-se contra outros tentando levar uma bexiga de boi cheia de ar até o fim do campo inimigo. Em 1863 a Football Association unificou a miríade de jogos regionais derivados desse tipo de brincadeira e o futebol foi adotado com imediato fervor pela classe operária, que, jogando ou assistindo, fez do futebol uma religião.

    Essa história explica a força dos times locais. Toda cidadezinha tem seu clube, com seu estádio e seus torcedores fiéis. Fiéis mesmo: muitos times tiveram seus primeiros estádios erguidos graças a doações de torcedores. Também é normal ir a um jogo da 9a Divisão onde o bar do clube é administrado por torcedores que trabalham ali sem ganhar um tostão.

    E, na falta de clube, até hoje pessoas se juntam e formam um. Foi o que fez o ex-jornalista esportivo Will Brooks. No ano passado, ele abriu um site, o MyfootballClub.co.uk e começou a coletar dinheiro para fundar um time. Não um time dele, mas de todo mundo que doasse as 35 libras que ele pedia como aplicação. O clube funcionaria como uma grande cooperativa. Cada um dos sócios poderia votar tanto em questões administrativas como para decidir a escalação do time. Sim, sim, parece uma idéia de jerico. Mas funcionou. Em novembro de 2007 Brooks já tinha 20 mil “sócios” e comprou um clube que andava mal das pernas, o Ebbsfleet United, por 700 mil libras. E dentro de campo também deu certo: em maio deste ano o Ebbsfleet foi pela primeira vez a Wembley para disputar a final da FA Trophy – uma espécie de copa para times a partir da 5a Divisão. E ganhou.

    Em 2005, um grupo de torcedores do Manchester United fez algo parecido: raivosos depois que um bilionário americano comprou seu time do coração, eles fundaram o FC United of Manchester, que começou disputando um campeonato regional e agora está na 7a Divisão, depois de ser promovido por 3 anos seguidos. O clube tem 3 mil membros, que tomam todas as decisões em votações democráticas: cada sócio tem direito a um voto. Mil deles já compraram cartões permanentes para assistir a todos os jogos da temporada 2008-9. Em 2010 eles vão começar a construir um estádio próprio. Tudo à base do esforço dos torcedores, sem patronos milionários. Mas, se por um lado a presença dos investidores estrangeiros faz gente como esses ex-torcedores virar a casaca, por outro ela transformou os times grandes da Inglaterra em potências. Veja o caso do próprio Manchester. Em 1990, a receita do clube foi equivalente a R$ 58 milhões. Em 2007, já tinha saltado para R$ 786 milhões – mais do que os 10 maiores clubes do Brasil, que somaram R$ 690 milhões no mesmo ano. Por essas, hoje 3 dos 5 times que mais faturam no mundo são ingleses. E a previsão é que, em 2009, eles sejam 10 entre os 20 mais ricos.

    Mas nem tudo é festa: os ingressos são caros (até R$ 300) e quase impossíveis de encontrar à venda nas bilheterias para jogos dos 4 grandes – Arsenal, Chelsea, Manchester e Liverpool. E desses o Arsenal é o único que ainda não pertence a um bilionário estrangeiro. É o preço a pagar pelo sucesso desse esporte na ilha onde a bola é mais redonda. No primeiro e ainda inigualável país do futebol.

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