Falsos cognatos: eles entendem sexo, você quis dizer ônibus

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Viajar é uma maravilha. Os amigos que se fazem, novos lugares a conhecer, novas culturas, gastronomia, idiomas e muitas histórias a contar. Eu já não moro no país onde eu nasci pelo quarto ano consecutivo e tenho ótimas lembranças ao longo dos diferentes países onde vivi. Dentre elas, as mais engraçadas geralmente são causadas por problemas de interpretação.

Me explico: os problemas de interpretação aos quais me refiro são aqueles relacionados aos falsos cognatos, aquelas palavras que são bastante similares a termos com os quais você já está familiar no seu idioma, e por isso você tende a entendê-las de maneira distinta e, algumas vezes, usá-las em situações um tanto quanto inadequadas. E depois de um certo tempo vivendo em um país que não fala o seu idioma nativo, é bem comum perceber quando essas situações acontecem, pois geralmente são seguidas daquele bom e velho silêncio estranho dos seus amigos olhando para você e tentado ajustar a sua frase ao contexto, algumas vezes sem sucesso.
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Em Espanhol os exemplos são infinitos. Devido à semelhança dos idiomas (Português e Espanhol) muita gente acha que é facílimo falar um se você é fluente no outro – e é aí que muita gente se engana, pois vários termos têm significados completamente diferentes ou opostos. O momento mais engraçado (e embaraçoso) que eu passei foi, ao perguntar qual ônibus eu precisava pegar para ir trabalhar, me disseram que eu precisava de uma buseta – o que me fez corar por uns bons minutos até entender o contexto. Em Espanhol, o que significa um micro-ônibus, no Brasil é uma palavra bastante vulgar para descrever as partes íntimas da mulher.

As partes íntimas do homem também não ficam de fora (sem nenhum duplo sentido desta vez): A palavra carajo em Espanhol é geralmente utilizada como uma interjeição da mesma maneira que dizemos pôxa! ou uau!,  mas dizê-la em Português é algo típico apenas de filmes independentes ou de conteúdo adulto, se é que você me entende. Ainda lembro do meu estranhamento ao ouvi-la pela primeira vez, vinda da minha senhoria, uma senhora bastante religiosa já na casa dos 60.
StrawberryIce

Em Inglês a coisa já é diferente: ainda que existam várias palavras com sentidos diferentes, estas não são nada comparadas com a vergonha que se tem ao usar palavras não tão comuns e acabar sendo interpretado de uma maneira completamente diferente (e geralmente sexual) – Isso torna até o mais simples dos atos em uma coisa obscena. Quando comprei um sorvete pela primeira vez eu dei bastante material aos meus amigos para ser lembrado em todas as conversas por bem mais de uma semana – em vez de pedir por duas colheres de sorvete eu pedi por duas bolas (a “unidade de medida” mais usada no Brasil para se referir a este, sem saber que em Inglês bolas também significam testículos). Não obstante (e ainda sem entender o motivo de todas as risadas) eu ainda os perguntei se alguém gostaria de lamber minhas bolas. Acho que eu nem preciso dizer que ninguém quis chegar perto do meu sorvete.

Os exemplos são vários e cada episódio é um caso à parte, o que daria material para muita conversa, mas quem sabe outro dia.

E você? Já passou por uma situação parecida? Conte seu caso nos comentários :)

[English]

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