A boa poesia e o tempo: um presente do passado

Ultimamente eu tenho me sentido bastante nostálgico, lembrando do meu país natal e das coisas lindas que temos lá, e entre elas está a rica e vasta literatura, com muitos exemplos de experiências de leitura de alta qualidade. O artigo de hoje é apenas um exemplo que a árvore que nos dá bons poemas no Brasil ainda tem frutos muito suculentos.

Aqui você pode ler dois poemas de tempos diferentes: o primeiro – “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias – é um poema Brasileiro muito famoso. O segundo – “Canção do autoexílio” de Filipe Teixeira – traz uma mensagem diferente e mais atual com uma nova perspectiva.
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Canção do exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores.
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.

Canção do autoexílio (Filipe Teixeira)

Se palmeira, se coqueiro
Se andorinha, se sabiá

O céu se fez montanha de estrelas elétricas
Que se apagam quando chega a manhã

Aqui encontrei bosques, lá deixei amores
Prazer dos olhos, dor do coração

Há primores, há
Há em todo lugar

E se Deus não me permitir voltar
Canto por aqui mesmo

Faço do mundo a palmeira
Faço de mim o sabiá

Você pode ler mais da poesia de Filipe aqui e também visitar seu blog.

[English]

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