Agradecendo a Iemanjá e a Nossa Senhora dos Navegantes

Outra grande festa religiosa marca o calendário brasileiro antes do Carnaval: é a festa de Nossa Senhora dos Navegantes (como é chamada na religião católica) ou de Iemanjá (como é chamada no Candomblé), festejada dia 02 de fevereiro.

Prova concreta do sincretismo religioso afro-brasileiro, a data é marcada por comemorações principalmente nas cidades erguidas à beira do mar, como é o caso das capitais Porto Alegre e Salvador. Em ambas as metrópoles, dia 02 de fevereiro é feriado municipal, o que permite que milhares de fiéis possam participar das procissões, por terra ou por mar, para agradecer pelas graças recebidas e pedir proteção.

De acordo com a religião cristã, 02 de fevereiro foi o dia da ida de Jesus ao templo pela primeira vez. Maria o teria levado, obedecendo às regras religiosas da época, que estabeleciam o comparecimento de mães ao templo 40 dias após o nascimento do filho, a fim de oferecer sacrifício e obter a purificação. Daí a homenagem à Nossa Senhora nesta data.

A presença portuguesa e espanhola trouxe essa devoção às terras brasileiras. Lusos e espanhóis, povos profundamente católicos, invocavam à Santa para guiá-los antes de se lançarem às viagens marítimas. Desta forma, disseminaram a data comemorativa em homenagem à Maria por todos os lugares onde tiveram influência.

No Brasil, a influência africana deu caráter único à festa católica, mesclando ambas as religiões. Iemanjá, mãe dos orixás de acordo com a Umbanda, é também a Rainha das águas. Representada por uma sereia, é invocada como protetora daqueles que lidam com o mar, desempenhando papel semelhante ao de Nossa Senhora para os católicos.

Na tradição umbandista, no entanto, a homenagem é feita de forma um pouco diferente. Iemanjá é muito vaidosa e gosta de receber presentes relacionados à beleza (como espelhos e perfumes, por exemplo). Para agradá-la, então, os fiéis colocam ofertas e bilhetes com pedidos em balaios, que depois serão atirados ao mar.

Durante os festejos, as tradições muitas vezes se misturam e não é raro que alguém participe de ambas as festas, tanto da Umbanda como da religião Católica. É possível encontrar quem tome parte na procissão ou na missa em homenagem à Nossa Senhora, ao mesmo tempo em que presenteia Iemanjá com oferendas. Para esses fiéis, mais importante do que escolher seguir exclusivamente uma ou outra religião, é agradecer à Santa. Ou a Iemanjá.

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