Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu

O Brasil é famoso mundo a fora por seu carnaval. O tema já foi abordado aqui o ano passado com ênfase no carnaval de escolas de samba, que acontece principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Outro tipo de carnaval do Brasil é o da Bahia, com trios elétricos e blocos de carnaval. Em Salvador, capital da Bahia, a festa atrai turistas de diversas partes, que deixam a cidade ainda mais movimentada e colorida durante os seis dias de festa.

De quinta à terça-feira de carnaval são mais de dois milhões de foliões e cerca de 234 entidades carnavalescas pela cidade. Estas entidades são divididas em categorias, tais como: afoxés, afros, de trio, de índios e travestidos. Para sair em um bloco de carnaval em Salvador é necessário comprar um abadá, que é a fantasia de cada bloco. O abadá é um conjunto de short e camiseta estampados com cores e temas diferentes em cada bloco.

Cada bloco desfila com um trio elétrico, uma espécie caminhão enorme com sistema de som e tecnologia avançada, que serve de palco para os artistas que cantam na festa. Parece estranho, só vendo e ouvindo para entender melhor o que é um trio elétrico, criado por Dodô e Osmar em 1950. Eu sou da Bahia e posso dizer que quem nasce por lá e curte o Carnaval não pode ouvir um trio elétrico que já sai pulando. Caetano Veloso define bem este sentimento quando canta : “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.

Em cima do trio vão os cantores, que animam a festa cantando samba-reggae, axé, samba, pagode. Os mais famosos atualmente são Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Banda Eva, Asa de Águia, Cheiro de Amor, Timbalada, Daniela Mercury e Cláudia Leitte.

O carnaval de Salvador é uma festa acontece na rua. Uma corda grossa segurada por “cordeiros” separa quem compra o abadá de quem está fora do bloco: a pipoca (por que mesmo quem está fora do bloco, pula como pipoca). Os abadás não são baratos, por isso muitos preferem ficar na pipoca. Não é tranquilo nem seguro, mas se você escolher um lugar bom para ficar, indicado por alguém que conheça a festa, e não levar nada nos bolsos, a pipoca pode ser bem divertida. Na verdade, seu dinheiro deve ficar bem escondido e, de preferência, nunca nos bolsos, independente de onde você escolher sair: pipoca ou bloco.

Há quem não saia em bloco ou na pipoca, mas em camarotes. Camarotes são como cubículos ou salas dispostos estruturas altas e enfileirados de forma que quem está lá tem uma visão privilegiada. São considerados como opção mais segura e confortável. Para mim, nada se compara à rua. Sair atrás do trio é muito mais animado!

P.S.: Alguns blocos não desfilam com abadás, mas com fantasias típicas ou temáticas. Você poderá ler mais sobre eles no artigo da próxima semana.

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