Cracóvia: a mais fofa!

Vou começar este artigo já respondendo o que sempre me perguntam quando falo que fui pra Polônia. ˜Polônia? Mas por que você decidiu ir justo a Polônia?˜ Bem, eu decidi visitar a Cracóvia depois de ter ficado amiga de um polônes que fazia intercâmbio na minha cidade. Eu e todos brasileiros que o conheciam ficamos curiosos para conhecer esta cidade da qual ele falava tão bem: onde tudo era mais barato que no Brasil, todo lugar tinha internet e você podia confiar nos horários do transporte público.

Em Fevereiro deste ano pude, então, ver por mim mesma a famosa Cracóvia. Já na pista de pouso do avião eu começava a tirar fotos compulsivamente de tudo que via pela janela: neve, avião, casas e outras dessas coisas banais que para quem está viajando parecem especiais. E pouco antes dos meus últimos dias eu ainda tirava fotos como turistas japoneses; a cada passo, 100 clicks.

As pessoas e a senhora que fala Polonês como uma louca

As pessoas eram, em geral, queridas e o atendimento nos bares, restaurantes e lojas era bom. Além disso, a maioria dos jovens, para a minha infinita felicidade e alívio, falava inglês. Sobre o idioma polônes, do meu ponto de vista (ou de audição falha), a melhor maneira de descrevê-lo seria imaginar um telefone ou uma televisão que não estão funcionando e começam a chiar; sempre com muito SHHH, como quem pede silêncio. Essa é mais o menos minha sensação ao ouvir tal idioma.

Uma amiga brasileira e eu fomos à uma loja de bebidas, pois ela queria comprar umas vodkas especiais. Acontece que a dona da loja era uma senhora idosa, que não falava inglês. Mais tarde, contando a situação a uns amigos, esta minha amiga diz algo como: ˜Nossa, fomos comprar a vodka e foi muito engraçado, a mulher estava falando polônes que nem uma louca, e a gente sem entender nada!˜ Resposta de um dos amigos polôneses: ˜Ela não estava falando polonês que nem uma louca. Ela estava simplesmente falando polonês.˜

Toda a nossa ignorância com relação ao idioma acabava sendo engraçada, pois era impossível não rir depois de ouvir a moça do caixa pronunciar um simples número, que para nós parecia ser uma frase gigante e ininteligível. E, às vezes o sorriso era contagiante e nem o caixa conseguia se segurar o riso. Outro fato curioso é que quando eu ficava perdida (sim, aconteceu mais de uma vez) eu tinha que mostrar o nome da rua que estava gravado no celular, pois não sabia pronunciá-lo — não que aqui na Alemanha a coisa esteja muito diferente, mas enfim..

Apesar de soar muito diferente do português, o polônes tem algumas palavras em comum, mas com significados diferentes. Exemplo: droga em português geralmente se trata daquelas substâncias químicas ilícitas, enquanto em polonês droga quer dizer estrada. Eu poderia citar aqui uma outra palavra, mas temo que esta não seja lá muito adequada..

Preços (para brasileiros)

Lindos. Maravilhosos. Excelentes. Cheguei lá com duas malas e depois de 15 dias voltei com três, para poder colocar tudo que comprei.

Produtos

Idem ao escrito acima.
Lembrando também que no distrito Judeu tem uma feirinha de coisas usadas que é super bacana.

Lugares

No primeiro dia achei a cidade bem simples e um pouco suja, não exatamente a idéia de Europa que é espalhada pelo Brasil. Porém, logo depois as pixações e a simplicidade da cidade se tornaram, para mim, um dos maiores charmes da mesma. Principalmente porque apesar do aspecto meio desgastado por fora, por dentro quase todos os lugares eram super bem decorados, aconchegantes e extremamente fofos! Só para dar a vocês uma noção do meu encanto (ou talvez dos meus problemas mentais) com a decoração das coisas: eu quase voltei a uma pizzaria só para tirar foto do banheiro do local, de tão diferente que ele era! Infelizmente não tive tempo de tirar a tal foto, mas pretendo o fazer no caso de uma segunda visita à cidade.

A entrada nas boates geralmente é de graça, e sempre tem lugar para sentar — coisa que, para mim, que não danço — é essencial. Um dos lugares mais bonitos, na minha opinião, era nos arredores do rio Wisla, especialmente quando tudo estava coberto pelo branco da neve. Recomendo também uma visita a mina de sal Wieliczka e a um cineminha super legal — onde você olha pra trás e pode ver o rolo do filme rodando –, do qual eu esqueci o nome (desculpem!).

Comida

Sou muito chata com comida. Então pode ser que minha opinião sobre sso (e talvez sobre outras coisas também) não deve ser levada tanto a sério. De qualquer modo, provei o pierogi e em alguns lugares era mesmo bom. Outra comida típica é a zapiekanka, que não provei pois tinha cogumelos.

Neve, lendas, castelos, dragão etc. Cracóvia é uma das cidades mais bonitinhas e aconchegantes que já visitei, e não me surpreendo que muitos a comparem a um conto de fadas. Espero voltar lá algum dia, e quem sabe também passear por outras cidades como a Varsóvia, cidade natal do grande Krzysztof Kieslowski.

Bem, já no fim na minha estadia a neve estava derretendo dando lugar à lama (acho que parti na hora certa) e lá vim eu de ônibus com minhas três malas gigantes para Hamburgo…

Mas e na sua opinião, qual a cidade mais fofa em que já esteve? Compartilhe com a gente!

[English]

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