Dia do quê?

Duas das datas cívicas mais importantes na história de um país – o dia da Proclamação da República e o dia da bandeira – são celebrados em novembro no Brasil. No próximo dia 15, festeja-se o dia a República e quatro dias depois, o dia da bandeira.

Embora sejam datas significativas, com desfiles e até um feriado – no caso do dia da Proclamação da República – ambas carecem de popularidade e (re)conhecimento. É difícil encontrar alguém que saiba explicar como se deu e o porquê da República do Brasil. Falar sobre a simbologia da bandeira, da mesma forma, os brasileiros até sabem; mas não pergunte a respeito do significado dos dizeres ORDEM E PROGRESSO no contexto histórico em que foram concebidos; muita gente não faz idéia da resposta.

A repercussão de datas cívicas como essas é certamente um pouco maior nas escolas, onde podem ser trabalhadas a cada ano – infelizmente nem sempre de forma diferente. Alguns educadores, mais conscientes, aproveitam o mote para desafiar os alunos a um rápido exercício de autoreflexão: até que ponto o Brasil é uma República de fato? E independente? Valorizamos, enquanto brasileiros, o que está representado em nossa bandeira?

Aprendidos uma vez na vida, em sala de aula, os hinos – da bandeira e nacional – são um mistério para grande parte da população depois de adulta. Virou motivo de piada, tornado-se pauta anual para muitos veículos de televisão. Os repórteres vão às ruas e pedem a população para que cante – se possível – os hinos. Muitos não querem fazer feio e tentam. O resultado é no mínimo cômico.

Não que o brasileiro não sinta orgulho de seu país, de sua bandeira ou de seus símbolos nacionais. Pelo contrário. A maior parte da quinta maior população do mundo se sente feliz em casa – como apontam estudos – e gosta de ser brasileira. Seja pela exuberância natural, pelo futebol, pelo samba ou pela alegria – para ficar só nos esteriótipos que, sim, são marca registrada além-mar.

Por mais paradoxal que pareça, para a maioria dos brasileiros tanto faz em que dia é celebrada a República, ou a Independência, o importante é celebrá-las. Da mesma forma, saber exatamente quantas estrelas existem em nossa bandeira, qual o dia em que ela é homenageada e como se canta o seu hino também é mera formalidade. O importante é vestir o verde-amarelo com orgulho e defender a pátria sempre que preciso – como em uma batalha futebolística, por exemplo. Datas comemorativas são importantes porque se pode comemorá-las. Simples assim. No país do futuro, vive-se o presente por si só, sem grandes preocupações com o passado e seus significados.

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