Doce Brasil (Parte 1)

Através da gastronomia podemos ter uma experiência mais profunda da cultura de um local. Os hábitos, costumes, valores e preferências de uma população podem ser observados nos pratos e bebidas que expressão uma realidade local fascinante e envolvente.

O consumo de alguns alimentos e bebidas pode ser vistos também como rituais populares dentro de uma sociedade. Por isso, eu gostaria através deste post, listar alguns hábitos alimentares que demonstram um pouco sobre o modo de vida dos brasileiros e também sobre como alguns destes rituais revelam alguns aspectos da nossa convivência social.

Doces

O nosso costume de comer e produzir variadas delícias adocicadas veio dos portugueses no começo da colonização do Brasil, porém ganhou força com o surgimento dos engenhos que produziam em grande escala o ingrediente principal: o açúcar. A variedade de frutas no nosso país somado ao açúcar produzido abriu portas para uma vasta diversidade de compotas e doces, feitos nas casas de engenho.

Mas no final do século 19 nós nos deparamos com uma substância cremosa que viria a ser um ingrediente bastante popular em nossos doces: o leite condensado. Ele foi desde o início desvirtuado do seu propósito original, que era apenas armazenar o leite por um período mais longo, e se tornou o ingrediente principal em várias de nossas sobremesas, como o nosso famoso brigadeiro (que para muitos estrangeiros é doce demais 🙂 ).

Para mim foi uma surpresa perceber que o leite condensado é apenas utilizado em cafés em outros países, de um modo não tão adocicado e nem cremoso, e apenas na Rússia é usado com o nosso mesmo propósito.

Esse modo de vida doce também é refletido nas nossas bebidas e coquetéis: Fora a nossa cerveja (que comparada a cervejas de outros países é um pouco mais leve e menos amarga) nós temos criações que vão das nossas famosas caipirinhas as doces caipifrutas, uma bebida que pode ser feita com qualquer uma das diversas frutas tropicais de nosso país, vodca (ou cachaça) e açúcar ou ainda (nas versões mais perversas) com o onipresente leite condensado.

Então, caso não estiver familiarizado com os hábitos brasileiros, não estranhe se oferecemos docinhos e bebidas extremamente doces, nossa cultura do açúcar é apenas muito forte para passar despercebida.

Cerveja

Os brasileiros estão entre os maiores consumidores de cerveja do mundo e também nos encontramos entre os maiores mercados mundiais de cerveja. Mas ao contrário de outros países, beber no Brasil é, sobretudo, uma atividade social. Nos bares e botecos ao redor do país, você irá perceber que beber uma cerveja não assume apenas o propósito de embriagar-se e sim, o de compartilhar uma experiência. Por isso nossas garrafas de cerveja assumem um formato maior, o de 600 ml, que recentemente também passou a ser comercializada em garrafas de um litro.

Já que atualmente moro na Alemanha, foi um pouco difícil me acostumar com os copos de 500 ml. De alguma forma este costume, de beber em um copo gigante de cerveja, tira um pouco do prazer de compartilhar algo, de beber devagarzinho e se perder em uma conversa de bar.

Essa essência de compartilhamento (ao menos de cerveja 🙂 ) no Brasil pode ser exemplificada com a nova campanha da estrangeira Heineken que criou peças com o conceito Heineken para dividir, para sua nova versão em 600 ml.

O tema “gastronomia no Brasil” é bem abrangente, por isso deixo para falar um pouco mais sobre o assunto em meu próximo post. Até lá 🙂

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