Doce Brasil (Parte 2)

Escrever sobre Gastronomia no Brasil pode ser um pouco complicado, visto que nossa cozinha nacional é bastante extensa, por ser tipicamente regional. Cada imigrante que veio ao nosso país trouxe seus hábitos e costumes alimentares, criando um caldeirão de influências gastronômicas. De Norte a Sul, nossa comida tem o gosto e cheiro da diversidade étnica.

Neste post vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a influência colonial nas receitas do nosso dia-a-dia, assim como um tipo de estabelecimento que expressa bem nossa paixão por comida, bebida e muita conversa.






Sobre portugueses, africanos e índios

Portugal trouxe ao Brasil seus hábitos alimentares assim como as técnicas de agricultura e pecuária, que possibilitaram o início da utilização de carnes e de derivados de leite em nossa alimentação. Também veio dos portugueses alguns dos temperos indianos que usamos até hoje. Em suas expedições, Pedro Álvares Cabral trouxe das “Índias” temperos como o cravo, pimenta do reino e o cominho.

Da cultura dos nossos índios, herdamos o uso do milho, mandioca e outras raízes em nossa culinária. Caldos feitos do preparo de carne de caça (como as da capivara e anta) eram misturados a uma farinha feita com mandioca, criando o nosso famoso Cozido com pirão (também muito comum com peixe).

Quando os africanos vieram como escravos ao Brasil, eles trouxeram consigo ainda mais temperos. O Azeite de Dendê e diferentes tipos de pimenta deram um gosto a mais no nosso cardápio português/índio. Trabalhando nas cozinhas dos grandes Engenhos, em situações mais que adversas, as escravas costumavam preparar refeições que incluíam diferentes sobras de carne, dando origem ao nosso prato mais popular, a Feijoada.

Baixa Gastronomia comida caseira
Passando do período colonial para os dias atuais, o termo Baixa Gastronomia tem sido usado no Brasil para definir o tipo de gastronomia que vem dos lugares mais simples, sem muita sofisticação, mas com uma riqueza de sabor incomparável.

Você poderá encontrar este tipo de culinária nos botecos/butecos espalhados pelo nosso país. O nome Boteco vem da palavra “botica”, um termo utilizado para designar um tipo de armazém do século 19, que vendia de tudo um pouco. Os clientes costumavam fazer suas compras e engatar longas conversas entre si. Com o tempo os proprietários começaram a servir petiscos e bebidas, e as boticas passaram a ser ponto de encontro para os boêmios das cidades.

Por isso, pode-se se dizer que os botecos são símbolo da casualidade brasileira. Independente do tamanho ou decoração (muitos deles oferecem apenas cadeiras plásticas distribuídas pelo local) os botecos são como uma extensão de nossas casas – um recanto para encontrar uma boa companhia e compartilhar uma noite de muita comida, bebida e conversa solta. Lá você encontrará tira-gostos diversos como os famosos filés com fritas, bolinhos de bacalhau, pasteizinhos, caldinhos, ou qualquer outro de tantos pratos regionais. As frituras são bastante comuns, e em cada cidade você encontrará uma especialidade da região: o Arrumadinho, por exemplo, vai estar presente em qualquer barzinho ou boteco da cidade de Recife.

Compartilhar também é comum quando se trata de petiscos: Eles geralmente vêm em porções generosas, que servem mais de três pessoas, pois comer sozinho não é conceito desta atividade. A idéia é garantir uma experiência social. 🙂

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