O Japão no Brasil

Uma amiga comentou que conhecera, nas palavras dela, um “brasileiro japonês” e que havia sido muito estranho, pois a sua fisionomia era japonesa, mas o seu comportamento era brasileiro, mais despojado e informal. Contei para ela então que o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão e que existem milhões de “brasileiros japoneses”, os nipo-brasileiros.

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil por volta de 1908. A situação econômica no Japão era difícil, e muitos viram na imigração uma saída para a situação de crise. O plano era ir ao Brasil, trabalhar nas lavouras, juntar dinheiro e voltar ao Japão assim que possível. Os imigrantes japoneses foram principalmente para os estados de São Paulo, Paraná e Pará. O fluxo de imigrantes aumentou com o fim da Primeira Guerra Mundial, principalmente por volta dos anos 30. Com o advento da Segunda Guerra Mundial os planos de retornar ao país natal ficaram cada vez mais distantes, permanecendo a maior parte dos imigrantes e descendentes no Brasil.

Os descendentes de japoneses nascidos fora do Japão são chamados de nikkei. Cada geração nikkei recebe uma denominação: issei para os imigrantes japoneses, nissei para os filhos de japoneses, sansei para os netos e yonsei para os bisnetos de japoneses.

A primeira geração, que têm hoje entre 35 e 100 anos ou mais e chegou ao Brasil entre 1908 e 1973, de regra só têm fluência em japonês. A geração nissei é geralmente bilíngüe. As gerações mais jovens (sansei e yonsei) falam, em sua maioria, apenas a língua portuguesa, utilizando o japonês em casa somente quando convivem com parentes mais velhos que falem japonês. Os hábitos culinários são os que mais resistem à miscigenação cultural. Ainda que os pratos brasileiros predominem no cardápio dos mais jovens, o hábito de comer o arroz branco japonês, verduras e legumes cozidos e utilizar o shoyu continua. Forte também são as práticas religiosas ligadas ao culto dos ancestrais.

Em São Paulo, o bairro da Liberdade concentra manifestações arquitetônicas e culturais nipônicas. Muitos que ali trabalham falam japonês e é possível encontrar diversas fachadas escritas com ideogramas japoneses. Aos domingos acontece na praça da Liberdade a Feira Oriental, com barracas de comida típica e de artesanato. Algumas festas típicas japonesas são celebradas no bairro. Um deles é o Tanabata Matsuri, o Festival das Estrelas, quando as ruas do bairro são enfeitadas com bambu e enfeites de papel colorido.

Este vídeo mostra parte de uma reportagem sobre o centenário da imigração japonesa para o Brasil em 2008:

Se quiser saber mais sobre o assunto:
http://www.mofa.go.jp/region/latin/brazil/index.html
http://www.zashi.com.br/

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