Sociedade dos poetas mortos – Leminski, o mestre Haiku

Em termos planetários, escrever em português e ficar calado é mais ou menos a mesma coisa.”

Na sequência da série sobre poetas brasileiros, vamos nos focar em um outro gigante da sociedade brasileira dos poetas mortos, Paulo Leminski.

Paulo Leminski Filho nasceu em Curitiba, Paraná, em 1944. Seu pai era descendente de poloneses . Ele representa um outro lado da sociedade brasileira, vindo de um contexto multicultural misturando tradições europeias e brasileiras. Leminski era conhecido por ser um poliglota, falando fluentemente Francês, Inglês, Espanhol, Japonês, Latim e Grego. As duas últimas foram em parte devido a seu estudo em um monastério, mas a língua e cultura japonesa eram especiais para ele. Essa é uma das razões para Leminski ser tão ativo em escrever haikais, sendo em parte responsável pela introdução desse gênero poético no Brasil. Sua poesia é aclamada por crítica e público, e é de grande influência para as gerações mais atuais. Os poemas de Leminski são um símbolo da poesia moderna brasileira , especialmente no movimento da poesia concretista. Seus poemas são visuais, simples e diretos, mas sem pecar na falta de complexidade estética. Leminski escreveu diversos livros, tanto de poesia como de prosa, assim como biografias e traduções para o português de autores famosos da literatura mundial, de diversas línguas. Ele nos deixou cedo, aos 44 anos, quando faleceu como resultado de uma cirrose.

Você pode encontrar seus poemas traduzidas para várias línguas na internet, onde sua popularidade é grande. Se quiser ter um gostinho das traduções de Leminski para o inglês, abaixo você encontrará o poema O Assassino era o escriba, traduzido por Michael Palmer:

 

The Assassin Was the Scribe

My professor of syntactical analysis was a sort of

nonexistent subject.

A pleonasm, principal predicate of your life,

common as a paradigm of conjugation.

Between subordinated oration and adverbial

adjunct he had no doubts: always found an

asyndetic way to torture us with an appositive.

He married grammatical rectitude.

Was unhappy.

Was possessive like a pronoun.

And she was bitransitive.

He tried to go to the USA.

No way.

They discovered an indefinite article in his suitcase.

His moustache’s exclamation point declined explicatives,

connectives and passives, forever.

One day I greased him with a direct object through the head.

 

   ( Caprichos e Relaxos, 1983)

Mais informações:

http://metother.blogspot.de/

http://pippoetry.blogspot.de/2012/06/paolo-leminski.html

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/paulo_lemiski.html

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