Sociedade dos Poetas Mortos – Manoel, o fazedor de amanhecer

“Poesia é voar fora da asa”

Quer saber mais sobre os poetas brasileiros contemporâneos? Essa série de artigos irá introduzir alguns dos poetas que foram importantes para a poesia moderna brasileira, e que foram traduzidos para outras línguas.

Manoel de Barros (1916-2014)

Manoel é, como sabem, uma perda recente para nós, e especialmente triste para mim. Nascido em Cuiabá, Manoel escreveu poemas simples e ao mesmo tempo complexos. Seus poemas são ricos em inovações sintáticas. Um verdadeiro tecelão de poemas, Manoel era focado nas questões do tempo e da simplicidade das coisas, tendo a capacidade de ver que a poesia está nas coisas mais simples, no indivíduo e nas vidas mais comuns. Para Barros, a poesia deve ser sentida, e não entendida, que “Entender é parede: procure ser uma árvore” (Manoel de Barros. In: Arranjos para assobios).

Um renomado poeta contemporâneo brasileiro, Manoel foi elogiado e declarado “o melhor poeta brasileiro vivo” por ninguém menos do que Carlos Drummond de Andrade, outro gigante de nossa Sociedade dos Poetas Mortos.

Após passar por uma cirurgia, Manoel ficou confinado a uma cama de hospital até falecer, em novembro deste ano. A maior tristeza do poeta em seus últimos meses foi não poder ler ou escrever. Isso, para ele, fazia a vida desnecessária.

Seus poemas foram traduzidos para diversas línguas, incluindo Alemão, Francês, Espanhol e Inglês. Idra Novey foi responsável por traduzir seus poemas, em uma coletânea sob o título de “Birds for a Demolition”. Além de publicar 18 livros de poesia, ele também foi ativo em livros infantis e material autobiográfico.

Abaixo você pode ver uma tradução para o inglês, de Idra Novey, do poema Mundo Pequeno:

Small World

My world is small, Lord.

There is a river and a few trees.

The back of our house faces the water.

Ants trim the edge of Grandmother’s rose beds.

In the backyard, there is a boy

and his wondrous tin cans.

His eye exaggerates the blue.

Everything from this place has a pact

           with birds.

Here if the horizon reddens a little,

           the beetles think it’s a fire.

Where the river starts a fish,

                       river me a thing

River me a frog

River me a tree.

In the evenings, an old man plays his flute

to invert the sunsets.

 

Mais informações:

Documentário – Só Dez Por Cento É Mentira, 2008

10 melhores poemas de Manoel de Barros

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