Você já penteou macacos hoje?

Diversas expressões interessantes e popularmente utilizadas no Brasil trazem animais como mote. Elas podem ser um pouco complicadas para quem está aprendendo a língua portuguesa, pois não fazem sentido algum quando literalmente traduzidas. Na verdade, algumas não fazem sentido até mesmo em português! Abaixo estão algumas destas frases populares com a explicação do seu sentido ou uso:

Pentear macacos

Não se assuste se alguém lhe disser: “Vá pentear macacos!”. Não é preciso ir ao zoológico, basta procurar outra pessoa para importunar. A frase quer dizer que você está chateando, incomodando quem mandou você penteá-los. É uma adaptação brasileira do provérbio português “Mau grado haja a quem asno penteia”. Pentear ou escovar animais de carga não era uma tarefa nobre e sim de pouca importância. No Brasil o asno foi substituído pelo simpático macaco. Outras expressões com o mesmo sentido são “Vá catar coquinhos!” e “Vá plantar batatas!”.

Ser um elefante branco

Um elefante branco é algo vistoso que você ganha como presente, mas que não tem utilidade. A história começou com o Rei do Sião (hoje Tailândia), que costumava dar elefantes brancos de presente. Ele dava os animais a cortesãos que caíssem em desgraça. Como o elefante branco era um animal raro e sagrado, não podia ser recusado. Tampouco podia ser posto para trabalhar, ser vendido, dado a outra pessoa ou ser morto. Aquele que recebesse este presentinho real tinha que cuidar muito bem do animal sem obter nada em troca ou ganhar algo com ele, o que representava custo e trabalho sem nenhum retorno ou utilidade prática.

Cor de burro quando foge

A cor de burro quando foge é aquela que é parece com verde mas não é. Também parece, mas não é marrom. Talvez cinza quase bege ou um bege esverdeado… Ou seja: é uma cor indefinida, ninguém sabe ao certo qual é. A expressão nada tem a ver com a cor do burro, coitado. Ela é uma transformação da frase “corro de burro quando foge”. Apesar de não fazer sentido algum, a frase é popularmente utilizada para definir uma cor sem explicação.

Tirar o cavalinho da chuva

O cavalo era o principal meio de transporte na época colonial. Quando uma visita chegava a cavalo, o dono da casa percebia a intenção do visitante de acordo com o lugar onde ele amarrava o seu animal. Cavalo amarrado na frente da casa significava visita rápida. Amarrado em um lugar protegido da chuva ou do sol significava uma visita demorada. Se a visita era bem vinda, o dono da casa pedia para ela tirar o cavalo da chuva, ou seja, ficar mais tempo, tomar um café e prosear. Com o passar do tempo a frase mudou de sentido. “Pode tirar o cavalinho da chuva!” é o mesmo que dizer “Desista!” ou “Nem pense nisso!”.

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